terça-feira, 8 de abril de 2008
viajando...
sábado, 29 de dezembro de 2007
sábado, 15 de dezembro de 2007
Scope
SCOPE coreógrafos - Rui Horta bailarinos – Romeu Runa e Elisabeth Lambeck artistas – Tiago Cerqueira (música original)
Scope: “área que limita a acção ou o significado, alvo ou área de influência”.
Cada um ocupa uma área própria onde tudo acontece como ser, como humano. Por vezes essa área pode ser dividida com um outro ser, da mesma espécie, principalmente quando surge o amor. Este sentimento altera completamente, no sentido sentimental, emocional, essa área. Sendo uma das mais difíceis tarefas humanas, é uma das mais importantes que nos marca, nos emociona, que nos transporta, eleva e equilibra mas também que nos magoa, quebra, rebaixa, enlouquece e suicida.
É este o tema principal – o amor – uma forma de explorar tudo o que existe à sua volta, tentando perceber como surge, como se desenvolve, o que provoca, o que é, o que foi.
Rui Horta, cria um espaço virtual, um percurso sinuoso, com dois intérpretes activos (bailarinos) que vivenciam esse espaço, onde o público é separado em dois grupos (feminino e masculino), cada um com um ângulo de visão diferente, devido à forma em curva do espaço. Será que aquilo que cada um vê é o que realmente é ou é o que querem que seja? Cada um vê o que quer ver e, a certo momento, tem a possibilidade de alterar a sua visão. Esta é uma peça onde o público faz parte dela, interage com o espaço, com as personagens, e o leva a questionar-se sobre o que vê, se o que pensa ver corresponde ou não à realidade. “Funcionando como uma verdade, algo que desloca o que vemos para o que queremos ver.”
A luz é um elemento presente muito importante, é o seu movimento e as suas alterações que provocam encontros e desencontros entre as personagens, que alteram o espaço e que comunicam com o público narrando uma história.
Uma crítica à sociedade presente que põe rótulos em tudo não sendo o mais correcto. Apenas através daquilo que vê, ou que pensa ver, tira conclusões sem sequer conhecer. Aquilo que vemos e pensamos ser real não corresponde de facto à realidade mas sim como uma pequena parte dela. “Sabes? Hoje vi-te sem olhar para ti. És a mulher mais linda que eu já vi, esta noite.” Dentro desta falsa visão, os intérpretes vão tentando encontrar uma forma certa de comunicar entre si. Após vários desencontros, mal entendidos, eles encontram um equilíbrio, momento em que ambos se conhecem. Como são e não quem são. “Como vejo o outro? Como é que o outro me vê?”
Uma excelente expressão corporal que marca cada momento, em conjunto com a luz e com as palavras. Esta é a melhor forma de expressar o amor, através da linguagem corporal. Momentos calmos nos quais o corpo se move suavemente e se equilibra parecendo que faz parte daquele espaço contrastam com os momentos de agitação, desequilíbrio, desespero e procura. E todos estes momentos têm uma forma e uma luz diferente, a luz branca que marca o equilíbrio e a ausência dela que marca o desespero e a procura, de um novo equilíbrio ou de um novo amor. O elemento que marcava presença era o quadrado de luz, projectado no chão, sempre em constante movimento. Foi assim que começou, entre quadrados verdes e roxos, os homens e as mulheres (o público) escolhiam um quadrado da sua cor e, nunca o perdendo de vista, seguiam-no até aos seus lugares. Mesmo durante a peça havia a perseguição ao pequeno quadrado de luz. Será que nós, homens e mulheres, estamos confinados a um pequeno quadrado imaginário de luz colorida, que nos guiará na nossa procura? Uma curva que nos separa, que apenas nos deixa ver uma pequena parte da realidade mas que também nos dá a possibilidade de ir mais além e podermos ver tudo aquilo que pensávamos ver mas que não era real. E será que tudo o que vemos não é a realidade porque existe algo que não nos deixa ver ou é porque nós não queremos ver?
Scope: espaço, alcance, âmbito, liberdade, oportunidade.
“Tudo acaba como começa.”
Mariana Ferreira 2007
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Espera, não vás...
Juventude em Marcha
Um filme de Pedro Costa com Ventura, Vanda Duarte, Alberto “Lento” Barros, Cila Cardoso e Isabel Cardoso.
Cheio de silêncio mas com muitas palavras, é apresentado como um retrato das transformações das comunidades que habitam um bairro, a partir do olhar de um emigrante cabo-verdiano, que presencia a destruição do seu antigo bairro e, posteriormente, o realojamento num novo. O princípio de uma nova vida, mas o fim de uma comunidade que tinha criado nessa precariedade laços de solidariedade.
O filme começa com uma imagem muito forte que expressa um lado negro da vida dos velhos bairros. É uma cena teatral, parecendo filmada num cenário a uma pequena escala, mas muito expressiva. Indica uma expulsão e um estrondo, representando a saída de Clotilde da vida de Ventura e a saída dele da vida do bairro, ainda presente entre escombros. Ventura, último resistente da vida do bairro das Fontaínhas, é uma personagem principal do filme, que vai aparecendo em dois cenários diferentes com o objectivo de comparar duas formas de vida que despertam sentimentos opostos. A obscuridade das ruelas, casas e ruínas do velho bairro em processo de desaparecimento das Fontaínhas contrastam com a brancura dos prédios e do interior das novas casas recém construídas do novo bairro de realojamento social. As cenas, por vezes parecem pinturas esquecidas mas que vão permanecendo ao longo do tempo. É quase tudo filmado em tempo real, cenas exaustivamente ensaiadas e com textos visivelmente estudados por actores amadores, sendo ao mesmo tempo as personagens que desempenham. O tempo neste filme é um elemento muito importante pois permite-nos entrar no mundo destas personagens, como se dele fizéssemos parte, assim como o facto de a câmara nunca se mexer.
Ventura vai circulando entre os vários espaços, mostrando o que sente em cada um deles, encontrando os seus filhos entre os amigos e vizinhos com que se vai cruzando. Entre eles há sempre uma relação, a de querer uma vida melhor, de seguir um sonho antigo mas que não desaparece. O sonho de Ventura é de querer regressar a Cabo Verde e lá morrer, mas temendo que não se concretize, dita e redita o texto de uma carta, a Lento, um dos seus filhos, para que possa decorá-la – à falta de caneta – e enviá-la à sua mulher. Esta carta, que vai marcando um compasso ao longo do filme, é repetida várias vezes com diferenças de entoação: “Nha cretcheu, meu amor, o nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos. Pela minha parte, volto mais novo e cheio de força. Eu gostava de te oferecer 100 000 cigarros, uma dúzia de vestidos daqueles mais modernos, um automóvel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tostões. Mas antes de todas as coisas bebe uma garrafa de vinho do bom, e pensa em mim. Aqui o trabalho nunca pára. Agora somos mais de cem. Anteontem, no meu aniversário foi altura de um longo pensamento para ti. A carta que te levaram chegou bem? Não tive resposta tua. Fico à espera. Todos os dias, todos os minutos, todos os dias, aprendo umas palavras novas, bonitas, só para nós dois mesmo assim à nossa medida, como um pijama de seda fina. Não queres? Só te posso chegar uma carta por mês. Ainda sempre nada da tua mão. Fica para a próxima. Às vezes tenho medo de construir estas paredes eu com a picareta e o cimento e tu, com o teu silêncio. Uma vala tão funda que te empurra para um longo esquecimento. Até dói cá dentro ver essas coisas más que não queria ver. O teu cabelo tão lindo cai-me nas mãos como erva seca. Às vezes perco as forças e julgo que vou esquecer-me”.
É um filme que tem muito mais haver com sentimos do que com histórias ou pessoas. Surgem as cenas que expressam sentimentos vazios e frios as quais são passadas nos novos bairros brancos, duros e artificiais; e as cenas com personalidade, alma e poética no antigo bairro das Fontaínhas. Há um enorme contraste entre as cores, a luz, os materiais e os sentimentos. Existe uma cena que mostra a necessidade de queimar as novas habitações para que perca a imensa frieza e brancura existente. Não existe qualquer preocupação na criação de novos espaços para habitar, que tornem melhor a vida dos realojados. Ventura não era capaz de estar na nova casa pois sempre que lá entrava ficava distante, sem vida, sendo muito marcante o contraste entre a sua cor de pele e da sua roupa com a brancura das paredes e do tecto. Pode-se considerar que se trata de um filme sobre a falta de arquitectura em que as novas casas não apresentam qualquer intencionalidade, tudo é ocasional desde a cor, às janelas, até à própria luz que entra naquele espaço.
Mariana Ferreira 2007
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Dás-me mimos?
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Praxe.
Os senhores estudantes da Muy Ilustre e Digníssima Universidade de Évora. A bela praxe que já lá vai...para o ano há mais!
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Pensar o habitar.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
elogio ao espaço III
fotografia. joao deus ferreira.2006














